O QUE É FAUNA?

29 de Agosto de 2020 às 21:30

Fauna é o nome dado ao conjunto de espécies de animais que existe em um determinado local e tempo. A fauna de um local pode variar dependendo de influências como processos evolutivos, características ambientais do local (ex. clima, relevo, vegetação), características fisiológicas e adaptativas de cada espécie.

Desta forma, o mundo abriga inúmeras espécies de animais que são encontradas em ambientes específicos e que ao longo dos milhares de anos, desenvolveram as características específicas para sua sobrevivência de acordo com seu habitat. Como exemplo, apenas na região da Austrália encontramos cangurus, ornitorrincos e demônio-da-tasmânia. Já na África, encontramos leões, hienas, zebras, girafas e rinocerontes. Na América Central e na América do Sul encontramos onças, tamanduá-bandeira e várias espécies de anfíbios que só ocorrem nesse continente. E a cada dia, novas espécies são descobertas e descritas.

Aliás, o Brasil destaca-se em relação aos demais países do mundo, sendo considerado um dos países com maior número de espécies animais. São mais de 129.000 espécies de animais invertebrados e vertebrados. Essas espécies apresentam diferentes adaptações para sobreviverem nos biomas da Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Pampas.

No entanto, atualmente existem muitas ameaças à integridade dos ecossistemas naturais e não só da fauna, mas de toda a biodiversidade. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBio, cerca de 1.173 espécies da fauna estão listadas como ameaçadas de extinção no Brasil, ou seja, encontram-se em declínio ou em risco de desaparecerem.

As principais ameaças estão relacionadas ao crescimento da população humana e desenvolvimento de novas tecnologias que levam ao aumento da exploração de recursos naturais.

Dentre as principais ameaças à nossa fauna, se destacam:

  • Degradação dos ambientes naturais: É o principal motivo da perda de biodiversidade no mundo. A degradação física dos habitats ocorre principalmente devido a atividades como expansões urbanas e industriais; pecuária extensiva e agricultura mecanizada, que resultam na perda do solo, fragmentação de vegetação nativa, mudança na descarga dos rios, assoreamento, erosões, emissão de gases poluentes, etc. Todos esses impactos podem acarretar na fauna a diminuição de populações, desequilíbrio na cadeia trófica e dinâmica das comunidades, migração de espécies e até extinções.
  • Comércio ilegal de animais: É a terceira atividade ilegal mais lucrativa no mundo, depois do tráfico de drogas e de armas. O Brasil é um dos principais alvos dos traficantes devido a sua fauna megadiversa. De acordo com o Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – Renctas, cerca de 38 milhões de animais são retirados de seu habitat natural a cada ano e são destinados à laboratórios ou colecionadores que têm interesse em espécies raras e/ou de alto valor econômico. Destes animais, um em cada dez sobrevive, devido aos maus tratos durante a captura e péssimas condições de transporte. No Brasil, as capturas mais preocupantes são espécies de aves ao longo do Rio Amazonas e na costa sudeste da Mata Atlântica, além de anfíbios em toda a bacia Amazônica.
  • Atropelamentos: O atropelamento de animais que tentam atravessar estradas e rodovias é um dos impactos mais significativos na fauna atualmente. De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas – CBEE, mais de 15 animais morrem nas estradas brasileiras a cada segundo. Diariamente, devem morrer mais de 1,3 milhões de animais e ao final de um ano, até 475 milhões de animais selvagens são atropelados no Brasil.
  • Caça predatória: A caça de animais silvestres é proibida no Brasil, no entanto, sua prática ilegal diminui drasticamente no número de espécies. A maior parte dos animais caçados são abatidos para o mercado clandestino de couro ou pele. Dentre as espécies mais caçadas, destacam-se mamíferos como a onça-pintada, répteis como jacarés e aves como a arara-azul.
  • Queimadas: Prática muito comum no manejo de pastagens, não apenas agride o ambiente natural como também resulta na morte de vários indivíduos da fauna, sobretudo os de pouca mobilidade. Mesmo após o incêndio ser controlado, os ambientes afetados levam certo tempo para se recuperar, o que impacta diretamente na composição da fauna local.
  • Introdução de Espécies Exóticas: Animais introduzidos fora da sua área de distribuição natural ameaçam ecossistemas, habitats ou outras espécies. São considerados a segunda maior causa de perda de biodiversidade no Planeta, de acordo com a International Union for Conservation of Nature – IUCN. Esses animais geralmente são introduzidos acidentalmente (e.g. mexilhão-dourado nativo da Ásia), para comércio alimentício (e.g. rã-touro e caramujo-gigante nativos da África; javali nativo da Europa) ou como animais de estimação (e.g. cágado-de-orelha-vermelha nativo da América do Norte). Acabam competindo com a fauna nativa por recursos e espaço, podendo, inclusive, causar extinção local de espécies.
  • Mudanças climáticas: A velocidade com que as mudanças climáticas estão ocorrendo, muitas vezes não é possível para uma espécie se adaptar com rapidez suficiente para manter-se em seu ambiente natural. A elevação da temperatura, principalmente resultante da emissão de gases na atmosfera, reflete em mudanças no comportamento de animais, como por exemplo a alteração em ciclos de vida e períodos de reprodução, antecipação do fim da hibernação e migração em busca de ambientes mais favoráveis

A fauna, assim como toda a biodiversidade, tem um valor intrínseco. No entanto, apenas esse reconhecimento nem sempre leva à valoração econômica sobre a qual as decisões políticas são geralmente baseadas. Existe uma visão utilitarista da natureza focada nos serviços que os ecossistemas fornecem às pessoas. Desta forma, um dos principais desafios atuais é o alinhamento de políticas públicas e desenvolvimento econômico, considerando alternativas que priorizem a preservação de ambienteis naturais que garantam a manutenção dos ecossistemas e sobrevivência das espécies.